terça-feira, 8 de maio de 2012

sexta-feira, 30 de março de 2012

Codex Bazae

Para quem se interessa, o Codex Bazae, um dos mais célebres códices bíblicos da antiguidade, está disponível na página da Cambridge Digital Library em imagens de alta qualidade.
Eis o link:


Fiquei sabendo da notícia por meio do colega Serge Cazelais.  

segunda-feira, 19 de março de 2012

A História de José, o carpinteiro

Ícone copta representando São José e
o Menino Jesus.
Como a Tradição Latina comemora a memória de São José, o pai adotivo de Jesus, no dia 19 de março, resolvi escrever um pouco sobre o apócrifo conhecido como A História de José, o carpinteiro.

O texto é muito provavelmente uma composição tardia, nada indica que seja anterior ao séc. V; existem duas versões do texto, até onde sei, uma em copta e outra em árabe. Aliás, o texto foi composto no Egito. Como se trata de uma composição deveras tardia, não se pode atribuir-lhe nenhum rigor histórico. Mas o texto é interessante por demonstrar o caráter arcaico de algumas crenças e devoções dos cristãos antigos. A mais notável é provavelmente a própria devoção a São José. Se alguém se deu ao trabalho de compor uma obra literária colocando José em evidência, como personagem e exemplo, é porque o considerava digno de tal. Assim sendo, o texto traz evidências de uma devoção a São José já nos primeiros séculos de cristianismo.

O texto é igualmente interessante por oferecer uma resposta, digamos, peculiar e alternativa para a questão dos "irmãos de Jesus", citados nos Evangelhos canônicos e em alguns apócrifos, como o Primeiro Apocalipse de Tiago de Nag Hammadi e do codex Tchacos. A resposta tradicional para a questão dos irmãos de Jesus diz que a palavra "irmãos" é usada para designar. graus de parentescos diversos, como primos, por exemplo. O Primeiro Apocalipse de Tiago oferece uma outra resposta, sugerindo que a fraternidade é meramente espiritual, como sugere a passagem na qual Jesus diz para Tiago que "eu te chamei de irmão, mas não es meu irmão segundo a carne".

A História de José, o carpinteiro conta que José era já um ancião, 90 anos, quando recebeu a missão de ser o responsável por Maria. José seria viúvo, e teria tido em seu primeiro casamento 4 filhos (Judas, Justus, Tiago e Simão) e duas filhas (Assia e Lídia). Seriam exatamente esses os "irmãos de Jesus" aos quais fazem referência os Evangelhos canônicos e outros textos antigos. O texto enfatiza, portanto, a virgindade perpétua de Maria, e utiliza materiais provindos, muito provavelmente, do Proto-evangelho de Tiago.

O texto também fala de modo extenso da morte de José, dizendo que ele viveu milagosamente até a idade de 111 anos, ao estilo dos patriarcas do Antigo Testamento, poder-se-ia dizer. 

Talvez a História de José, o carpinteiro seja um dos responsáveis pela origem da tradição iconográfica que procura retratar José como um ancião, em contraste com a juventude da Virgem; uma maneira de colocar em evidência, de maneira piedosa, a virgindade perpétua da própria Maria e a castidade fiel do próprio José.

Em 2011, meu amigo Alin escreveu um post sobe novos fragmentos do texto em questão em seu blog.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Mais sobre "a possível descoberta do mais antigo fragmento do Novo Testamento"

Foto verídica do tal fragmento do Evangelho de Marcos ou falsificação?
Essa foto tem circulado na internet nos últimos dias. Alguns chegaram a afirmar que se trataria da foto do tal fragemento sobre o qual falamos no post anterior. No entanto, outros estão dizendo que o fragmento em questão não é o dito cujo; outros ainda dizem que se trata de uma falsificação. 


Ou seja, como vocês podem notar, há muito "blá, blá, blá" e "ti ti ti", e pouca informação precisa e confiável. Até agora, por exemplo, não consegui descobrir de onde viriam os supostos fragmentos, onde foram descobertos, etc. Se alguém souber, por favor, me avise.

Continuo achando que a melhor atitude em relação a isso é a prudência. Não vou dizer que  se trata de uma falsificação, mas também não vou acreditar. O tempo dirá se o tal fragmento existe de fato e se é verdadeiro.

Questionamentos em relação à datação também já começam a surgir na internet, principalmente em blogs de estudiosos e de estudos bíblicos. Primeiramente, esqueçam o tal do "carbono 14"; esse método não é preciso o suficiente para datar um manuscrito antigo. O melhor método para se saber a data de um manuscrito antigo ainda é a paleografia. Não conheço muito do assunto, mas pelo que andei perguntando a alguns de meus professores, é muito difícil afirmar categorigamente que um fragmento tão pequeno provenha do séc. I.

Qualquer nova informação eu posto aqui no blog. Algo me diz que ainda vamos ouvir muito sobre esse assunto até a Páscoa....


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A possível descoberta do mais antigo fragmento do Novo Testamento

Nas últimas semanas, algumas notícias sobre a descoberta de novos fragmentos do Novo Testamento têm circulado na internet. Tenho acompanhado a discussão por meio da página do software Bibleworks no facebook. Alguns sites, como o Center for the Study of New Testament Manuscripts também têm abordado o assunto.

Segundo as notícias, sete novos papiros do Novo Testamento teriam sido descobertos, segundo análises paleográficas, seis deles datariam do séc. II e um do séc. I. O papiro do séc. I conteria uma passagem do Evangelho de Marcos. 

Se a notícia se confirmar, seria uma descoberta e tanto. Esse seria o mais antigo fragmento do Novo Testamento conhecido, já que até então, o mais antigo é o  Papiro Ryland P52, que contém um fragmento do Evangelho de João do início do séc. II.

No entanto, é sempre bom ter um pouco de prudência em relação a esse tipo de notícia, ainda mais se levarmos em conta alguns dos estudiosos envolvidos na divulgação; alguns deles dedicaram mais tempo nos últimos anos a polêmicas do que a trabalhos acadêmicos.
Além do mais, vale lembrar que estamos nos aproximando da Páscoa, e a imprensa adora divulgar esse tipo de notícia nessa época, quando as pessoas estão mais suscetíveis a assuntos religiosos. É só lembrar do Evangelho de Judas, publicado na Semana Santa de 2006, ou o caso esdrúxulo do "Túmulo de Jesus", divulgado pelo Discovery Chanel no mesmo período do ano seguinte.